Se eu pudesse dizer sucintamente o que aconteceu comigo em um ano, eu diria:
Decisões - rompimento - angústia - viver
Decisões - rompimento - viver
Decisões e viver
Viver
.
.
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***
No início,
Rompi com dor
e com atos
Não foi simples
Não foi fácil
Doeu mais que uma navalha afiada no meio do peito
Exigiu muita reflexão
Me fez querer da vida algo muito diferente
Embora não conseguisse andar
(nem com as minhas pernas, nem com a do outro
nem com muletas ou cadeira de rodas).
Mas, ainda assim,
- caminhei -
Depois,
Senti desejos sem direção
Precisei preencher
e passei a consumir poesia,
Consumir amigos,
Consumir música,
e consumir corpo
como quem consome droga.
(numa relação de uso)
Reproduzi velhos caminhos
Alimentei angústias conhecidas
Vivi
Exigiu reflexão
E então
Passei a exigir eu em mim: me olhei inteira
Me vi em cada pedacinho da minha pele
Senti meu cheiro bom.
Decidi
Falei
Rompi com falas ditas pelos meus poros.
Já não precisei atuar
Não foi necessário encenar
Nem correr
e com um jeito mais bonito de andar,
andei.
- caminhei -
Hoje eu vivo a vida, com toda alegria e tristeza que uma vida feliz exige.
Não a consumo. Não consumo o outro. Não sou consumida.
Tenho sentido calor.
Acho que vida mais real é bem mais quente, por que aquece.
"se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."
Em: O amor nos tempos do cólera
Em: O amor nos tempos do cólera
Gabriel Garcia Marquez

4 comentários:
e é um parto mais bonito que o outro. siga, amiga, siga.
E vc tá presente em todas as novas chegadas desta vida. :)
é um privilégio! :)
Vida = um furacão.
Olha lá:
http://pintandoparadoxos.blogspot.com
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