23 de agosto de 2011

A leveza das palavras firmes



Minha avó sempre me benze de noite quando eu durmo lá. Há 27 anos ela faz isso.


O ato de benzer, pra ela, é sempre um desabafo com Deus. Lembro-me de, uma vez, ficar mais de 30 minutos com os olhos fechados (com a mão dela repousada sobre minha testa) enquanto ela questionava o porque Deus permitia que homens amassem homens e mulheres amassem mulheres: isso era incompreensível pra ela.


Neste sábado, com meu coração parecendo uma melancia dentro do corpo magro, pedi uma reza.
Deitei do seu lado e ela colocou sua mão em mim.
Enquanto ela se concentrava, com os olhos fechados, eu só conseguia pensar que a vida ia ser muito difícil sem ela.
Ela, então, abriu os olhos e, contrariando a minha expectativa, teve uma conversa bastante rápida com Deus.


Disse a ele que, por favor,  me fizesse entender que nem tudo é do jeito que eu quero.
Enfaticamente completou:


"Explica pra ela, senhor, que a vida é difícil, eu sei. 
Mas não é impossível".




Atônita, senti que algo, então, mudará em mim.

2 comentários:

André disse...

Que lindo, ao terminar de ler as lágrimas começam a cair. Saudade da família, saudade da minha Vó, minha unica Vó, saudades de pedir benção.
Saudade dos meus pais.
Como é doloroso este tal de amadurecimento, a busca pelos sonhos, a "vida é difícil" e neste momento eu só gostaria de estar no colo da minha Vó.

Fábio disse...

Lindo demais! Deus seja louvado pela sabedoria da sua vó! =)